terça-feira, 7 de julho de 2009

ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA EVOLUÇÃO PSICOGENÉTICA
A criança que vive num ambiente em que o ato de ler e escrever faz-se presente a partir do momento que ela possui maturação motora para segurar um lápis ou caneta ela começa a imprimir suas marcas no papel, ou seja, rabiscar; é a época das garatujas.
E quanto mais oportunidades e materiais para ser manuseados lhes são oferecidos, mais ela se desenvolve; passando da fase da garatuja para a fase icônica que é a representação da escrita pela criança através de desenhos. Ela tenta escrever o nome dos objetos com desenhos que no inicio não representam em nada o objeto real.
Com as tentativas de desenho – escrita ela percebe pela sua vivência diária em meio a portadores de textos, escrita dos adultos, que desenhar não é escrever, inicia-se então a fase pré-silábica, ou nível I.
Na fase pré-silábica ela se utiliza de letras convencionais e símbolos próprios, sua tentativa de escrita se baseará naquilo que ela possui como modelo: letra de imprensa ou cursiva. Vivencia, também, o realismo nominal onde o nome será proporcional ao tamanho do objeto que se pretende escrever.
No que diz respeito à interpretação da escrita, está claro que, neste nível, a intenção subjetiva do escritor conta mais que as diferenças objetivas no resultado: todas as escritas se assemelham muito entre si, o que não impede que a criança as considere como diferentes, visto que a intenção que a presidiu a sua realização era diferente. (FERREIRO & TEBEROSKY: 1999, p.93)

Com a evolução, a criança percebe que para escrever palavras diferentes é preciso letras diferentes, se o texto tem o tempo todas as mesmas letras, não pode ser lido ou interpretado.
Ela adquire novos conhecimentos entre eles:
o fato conceitual mais interessante é o seguinte: segue-se trabalhando com a hipótese de que falta certa quantidade mínima de grafismo para escrever algo e com a hipótese da variedade de grafismos. Agora, em algumas crianças, a disponibilidade de formas gráficas é muito limitada, e a única possibilidade de responder ao mesmo tempo a todas as exigências consiste em utilizar a posição na ordem linear, e assim como estas crianças expressam a diferença de significação por meio de variações na ordem linear, descobrindo, dessa maneira, em pleno período pré-operatório, os antecessores de uma combinatória, que consiste uma aquisição cognitiva notável. (FERREIRO & TEBEROSKY: 1999, p. 202).
Até o momento a criança trabalhou com a hipótese que a escrita é aleatória, não havendo uma relação entre o que se escreve e sua forma convencional.
A partir desse momento ela passa a vivenciar o nível 3 ou silábico onde surge a hipótese silábica, ou seja, cada letra equivale a uma silaba. Começa a relacionar as letras com os sons da fala.
A hipótese silábica pode aparecer tanto com grafias ainda distantes das formas das letras como com grafias bem diferenciadas. Neste ultimo caso as letras podem ou não ser utilizadas com um valor sonoro estável. (FERREIRO & TEBEROSKY: 1999, p.209).
Neste nível a criança passa por um grande conflito que é a exigência de variedade e de um número mínimo de caracteres para que algo possa ser lido, pois se cada letra representa uma emissão sonora os dissílabos serão escrito com duas letras que podem ser as mesmas e os monossílabos com uma única letra o que impediria a leitura.
Diante desse conflito inicia-se o nível 4 ou silábico- alfabético onde ela descobre que com uma única letra não se pode escrever uma silaba, procura assim acrescentar letras a escrita anterior começa então a grafas algumas silabas completas e outras incompletas(ainda representadas por uma letra só).
Assim a criança compreende o sistema de representação da língua escrita, ou seja, ela percebe que cada letra corresponde a valores menores que a sílaba é o nível 5 ou alfabético.
Isto não que dizer que todas as dificuldades tenham sido superadas: a partir desse momento; a criança se defrontará com as dificuldades próprias da ortografia, mas não terá problemas de escrita, no sentido estrito. (FERREIRO & TEBEROSKY: 1999, p. 219).
Ou seja, a criança lê e escreve tudo o que lhe é solicitado ou que deseje, o que precisará é assimilar gradativamente a língua culta.
1.2.VYGOTSKY
A vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. É pela aprendizagem nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. Segundo Vygotsky(1993) a criança nasce dotada apenas de funções psicológicas elementares, como os reflexos e a atenção involuntária, presentes em todos os animais mais desenvolvidos. Com o aprendizado cultural, no entanto, parte dessas funções básicas transforma-se em funções psicológicas superiores, como a consciência, o planejamento e a deliberação, características exclusivas do homem.
Os estudos de Vygotsky e seguidores sobre aquisição de linguagem como fator histórico e social enfatizam a importância da interação e da informação para a construção do conhecimento.
O desenvolvimento é visto como um processo de maturação sujeito às leis naturais; e o aprendizado como a utilização das oportunidades criadas pelo desenvolvimento... O primeiro cria as potencialidades, o segundo as realiza... Admite-se, portanto, a existência de uma relação unilateral: a aprendizagem depende do desenvolvimento mas o curso do desenvolvimento não é afetado pela aprendizagem. (VYGOTSKY,1993, p. 80)
Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio, que são sempre intermediadas, explicita ou implicitamente, pelas pessoas que rodeiam a criança, carregando significados sociais e históricos. Isso não significa que o individuo seja como um espelho, apenas refletindo o que aprende, mas reelabora aquilo que lhe foi transmitido numa espécie de linguagem interna. Assim o aprendizado é um processo individual.
A evolução intelectual é um processo constante que pode ser impulsionado também com a ajuda externa, não se pode ficar esperando que a criança se desenvolva sozinha e sim lhe oferecer oportunidades para isso.